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Foto do escritor: Arquivo SáficoArquivo Sáfico

Título Original: Mädchen in Uniform

País: Alemanha

Ano: 1931

Género: Drama, Romance

Realização: Leontine Sagan, Carl Froelich

Roteiro: Christa Winsloe, Friedrich Dammann; Colette (diálogo não creditado);



Sinopse: "Um dos mais famosos filmes do começo do cinema sonoro alemão, sobre o despertar dos sentimentos de uma jovem num pensionato feminino e os laços fortes de intimidade que começam a ligá-la a uma professora. À época, o filme foi proibido nos Estados Unidos e um jornalista português escreveu que a protagonista "deveria ser internada numa casa de correcção". (in Cinemateca Portuguesa)




 

Raparigas de Uniforme foi o primeiro filme a mostrar um beijo entre duas mulheres.


Primeiro Beijo Sáfico do Cinema

Christa Winsloe escreveu a peça de teatro que deu origem a este filme, tendo sido o roteiro para o mesmo escrito em conjunto por Christa Winsloe e Friedrich Dammann.


A peça de teatro teve vários títulos, podendo aparecer creditada de várias maneiras, tais como: "Gestern und heute" (Ontem e Hoje), "Ritter Nérestan" (Cavaleiro Nérestan) e "Krankheit der Liebe" (Doença do Amor).


Existem dois remakes deste filme: a versão mexicana de 1951 "Muchachas de Uniforme" e uma nova versão alemã de 1958.


O filme "Raparigas de Uniforme" também serviu de inspiração ao filme "Loving Annabelle", de 2006.



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Foto do escritor: Arquivo SáficoArquivo Sáfico

Título Original: Fucking Åmål

Ano: 1998

País: Suécia

Género: Drama, Romance

Realização: Lukas Moodysson

Roteiro: Lukas Moodysson



Sinopse: Elin é a rapariga mais popular da escola, mas está cansada da pacata rotina do lugar onde mora, a pequena cidade de Åmål, na Suécia. Agnes é uma nova aluna, tímida, sem amigos e com uma paixão secreta por Elin. Na festa de aniversário de 16 anos de Agnes, Elin aparece e beija-a, por conta de uma aposta. Começa então uma série de crises de identidade entre as duas, que não sabem como assumir o que realmente sentem.


 

Filme também conhecido pelos nomes "Show me Love" e "Amigas de colégio".



Fucking Åmål foi o primeiro filme protagonizado por um casal de raparigas que vi, por mero acaso. Na altura procurava ver filmes em outras línguas que não português e inglês e escolhi ver este filme sueco. Devia ter uns 13 anos, altura em que estava longe de descobrir que me sentia atraída por mulheres, apesar de já fazerem comentários nesse sentido, por percecionarem a minha expressão de género como masculina e associarem a mesma a homossexualidade.


Por tantas vezes ouvir, desde os 6 anos de idade, que ser "maria-rapaz" era mau e, posteriormente que uma rapariga gostar de outras raparigas era pior, tornei-me ligeiramente homofóbica na minha pré-adolescência (depois cresci e percebi que ser homofóbico é estúpido mesmo antes de juntar 2 + 2 e perceber que gostava de mulheres), o que me levou a, numa primeira fase, achar isto da Agnes estar secretamente apaixonada pela Elin uma coisa muito estranha e ficar com cara de parva a ver o filme e a pensar "mas que vem a ser isto?!". É a tal chamada homofobia internalizada. No entanto, à medida que o filme vai decorrendo, começo a simpatizar com a Agnes e a ficar triste por ela não ter amigos e ninguém ter vindo à festa de aniversário e a achar isto muito injusto. (Ups, spoiler alert! Mais spoilers a caminho...) Acabam por aparecer na "festa" (por não terem mais nada que fazer) a Elin e outra rapariga. Numa aposta para gozar com a cara da Agnes, a Elin beija-a, para meu espanto. Apesar de ainda achar isto muito estranho, fico muito chateada com a Elin por ter gozado com a cara da Agnes que gostava dela ao mesmo tempo que começo a torcer, sem ainda me aperceber muito bem disso, que a Agnes encontre uma rapariga que também goste de raparigas e que gostem as duas uma da outra e que ninguém goze com elas. 


Último spoiler: no final do filme a Agnes e a Elin ficam juntas. E eu nesta altura já me esqueci que era tudo uma pouca vergonha aos olhos desta sociedade (que era ainda mais homofóbica que hoje em dia) e fiquei muito contente por a Elin afinal também gostar da Agnes. E de repente já não era uma coisa estranha, e de repente a história de amor deste filme passou a ser igualmente bonita e fofinha como as histórias dos outros filmes e de repente tornei-me menos homofóbica (apesar de continuar a não achar piada às insinuações e estar (erradamente) convicta de que não poderia ser o meu caso) e viva a representação!


Apesar de não estar na minha lista de melhores filmes de sempre, "Fucking Amal" é um bom filme e tem um lugar especial no meu coração e na minha vida e representa bem a importância de retratar as relações não heterossexuais nos filmes (etc.). E espero que à medida que vai surgindo mais representação LGBTI as pessoas vão ganhando mais empatia e reconhecendo que somos todos pessoas merecedoras de respeito e iguais em direitos e que deixem de ser homofóbicas. Sonhar não custa... E ainda que seja passinho a passinho, uma pessoa de cada vez, é um grande avanço cada vez que um homofóbico deixa de existir. Eu comecei a deixar os pensamentos e ensinamentos homofóbicos de lado com este filme. E ainda bem. 


Mas foi o único do género que vi em muitos anos, pois na altura não havia "tanta" divulgação e representação como agora. E apesar dos sinais, ainda demorei até perceber a minha orientação sexual e ter resposta para todas as dúvidas e inseguranças que foram surgindo e sendo esquecidas e para aquele sentimento de falta de pertença e de incompletude.

O facto de ser bissexual também não ajudou nesta descoberta, pois na minha primeira paixoneta por um rapaz pus todas as dúvidas de lado e assumi que gostava de rapazes e ponto final, uma vez que a bissexualidade era ainda mais invisível e, infelizmente, continua a ser. Só mais tarde, por volta dos 17, é que se fez luz.


Mas, ainda assim, aquele sentimento de pertença tardou a vir, que uma pessoa finalmente descobre que existe uma sigla LGBTI+ e finalmente acha que há pessoas que nos compreendem e aceitam, apenas para descobrir que para além da homofobia da sociedade em geral ainda se tem que levar com bifobia dentro da própria comunidade a que supostamente se pertence: lgBti. O B está lá... A sua compreensão e aceitação deixa a desejar...


Felizmente, mais tarde, finalmente acabei por ficar em paz com tudo isto e aceitar plenamente a minha orientação sexual. Possivelmente teria descoberto mais cedo e começado a sentir-me melhor mais cedo se houvesse mais representação na altura. De qualquer maneira, ainda bem que vi este filme. Ensinou-me muito. Ensinou-me a ver as pessoas como iguais, a deixar de ser preconceituosa. E aprendermos a respeitar as diferenças e a deixar preconceitos de lado é um dos maiores ensinamentos que devemos levar desta vida. 



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Foto do escritor: Arquivo SáficoArquivo Sáfico

Atualizado: 11 de dez. de 2022


Comecemos pelo início...


Primeiro nasceu uma criança que viria a tornar-se numa mulher que não era heterossexual. Segundo, existiu a invisibilidade. Depois, veio o preconceito, seguido de comentários e insinuações. Tudo somado resultou em negação.


Um dia descobri que existiam as lésbicas. Começaram as dúvidas e as inseguranças, os "throwbacks". Isso explicava muita coisa... Mas eu até já tinha descartado essa hipótese, da primeira vez que gostei de um rapaz. E agora? Se gosto de homens é porque não gosto de mulheres. Ou afinal gosto de mulheres e então não gosto de homens? Mais dúvidas. E veio a procura por respostas e por mais informações.



Depois descobri que existiam as bissexuais. Eureka! E tudo fez sentido. E senti-me completa. Afinal era possível gostar dos dois. (Dois polos que, como vim a descobrir mais tarde, estão cheios de variações. Gosto de todas.)


E eis a questão: há mais como eu, mas onde estarão? E por que não aparecem na televisão? Então começou a procura por representatividade. Em filmes, séries, prosas, versos, quadros, músicas... Afinal até já existiam há muito tempo, desde que o mundo é mundo. E ainda há quem diga que são modernices...


E hoje em dia, felizmente, há uma maior divulgação e muito mais representatividade do que na altura em que comecei a procurar.


E sinto-me vísivel, viva, aceite.


E compreendo-me e aceito-me e orgulho-me e estou em paz.


E um dia, decidi criar este blogue onde posso partilhar os filmes, séries, livros, músicas (etc.) que continuam a divulgar a simples existência de mulheres que, como eu, amam outras mulheres.


E viva a representatividade! E viva o amor! É simples.

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